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Não são poucos os casos de esportistas de sucesso em suas modalidades a nível mundial que são flagrados em torneios de poker, presenciais ou online. Alguns o fazem simplesmente por diversão, que é um dos pontos fortes do jogo. Outros, no entanto, levam a sério e chegam a ocupar boas posições em rankings e até vencer torneios.

A pergunta que fica é a seguinte: porque o poker atrai tantos esportistas de alto rendimento? A resposta certamente é diferente de atleta para a atleta, mas há alguns benefícios na prática do esporte da mente que são extremamente úteis em outras modalidades ou na vida pessoal.

Ausência de limitações físicas

Por ser um esporte da mente, o poker é uma modalidade que não exige esforços musculares – o que não quer dizer que não haja desgaste de outros tipos, como o mental. Isso dá ao jogo uma vantagem em relação a outros esportes tradicionais, que exigem muito da parte física de atletas e, naturalmente, cobram o preço com o passar dos anos. É por esse motivo que a grande maioria dos atletas profissionais em modalidades como futebol, basquete, tênis, MMA, vôlei e outros encerram suas carreiras antes dos 40 anos.

Um bom exemplo é o boxeador inglês Carl Froch, que lutou profissionalmente entre 2002 e 2014, acumulando 33 vitórias em 35 lutas (sendo 24 nocautes), além de diversos cinturões como campeão mundial dos super-médios. Em 2014, aos 36 anos, ele realizou a última luta da carreira, vencendo George Groves por nocaute. No entanto, o espírito competitivo permaneceu com Froch, que já não tinha o boxe como profissão.

Foi então que o boxeador se lançou como jogador de poker, levando consigo o estilo agressivo que sempre mostrou nos ringues. Ele foi campeão de torneios como Beat The Boss e Power Series High Roller, mostrando que sempre levou o esporte da mente a sério. Hoje, faz parte da equipe de embaixadores do partypoker.

“Eu percebi que poderia ser bom no poker quando cheguei em uma mesa final de um torneio online. Quando você chega longe em uma competição, com blinds maiores e tendo que fazer decisões rápidas, você percebe que é bom naquilo e pode de fato competir em um nível profissional”, disse Froch em entrevista à partypoker TV.

Outro esportista profissional que se encontrou no poker após encerrar sua carreira foi Teddy Sheringham, ex-jogador da seleção inglesa de futebol. Após ter disputado duas edições da Copa do Mundo com a Inglaterra (1998 e 2002), além de múltiplos títulos da Premier League, Sheringham pendurou as chuteiras em 2008, e sempre afirmou sentir falta da adrenalina proporcionada pelo esporte profissional – lacuna que ele conseguiu preencher com o poker.

“Eu fui direto do futebol para os jogos de poker. Jogar todas as noites, com toda a dose de adrenalina, ganhando ou perdendo dinheiro, jogando torneios… isso me motivou. Toda partida que disputo, quero vencer”, disse o ex-jogador em entrevista. Ele já faturou mais de US$ 300 mil em premiações de torneios.

Modalidade traz ensinamentos para outras

Não são apenas ex-atletas que se dedicam ao poker. Há inúmeros exemplos de craques em atividade que dedicam seu tempo a partidas. O caso mais notório talvez seja o de Neymar, astro do PSG e da seleção brasileira, que já declarou que quer ser jogador profissional de poker após encerrar sua carreira no futebol.

Embora já tenha admitido que um dos fatores que mais chama a atenção na modalidade é o fato de disputar torneios em todo o planeta, Neymar também vê alguns ensinamentos do esporte da mente para o futebol.” Algo crucial no futebol é saber o que o adversário vai fazer e por onde ele pode atacar e onde posso ter a possibilidade de criar perigo. No poker é a mesma coisa, é preciso ler o jogo, ler os adversários e saber o momento certo para atacar o adversário”, declarou ao canal francês CNEWS.

Tomando o futebol como exemplo, é possível traçar outras analogias com o poker, como por exemplo a tomada de decisões rápida que varia de acordo com o posicionamento no campo – o que também acontece nas mesas de poker. Em outros esportes, como o tênis e o basquete, a concentração para colocar a bola onde deseja também é uma habilidade indispensável para qualquer atleta de alto rendimento, algo que a prática de poker também proporciona. Não é à toa que nomes como Rafael Nadal e Bruno Soares, do tênis, e Draymond Green e Chris Paul, do basquete, são grandes praticantes de poker.

Competindo em alto nível

Competir em alto nível no poker pode ser chave para ter sucesso em outras modalidades – e vice-versa. Um caso de sucesso é o de Thiago Camilo, que ficou entre os 10 melhores brasileiros de 2020 no ranking do Global Poker Index – um dos mais respeitados do esporte da mente.

Para muitos, pode soar apenas como mais um bom jogador de poker, mas quem conhece automobilismo sabe do tamanho de Thiago Camilo nas pistas, sendo um dos maiores vencedores de corridas da história da principal modalidade nacional, a Stock Car Brasil. Certamente, o espírito de vencedor nas pistas ajudou Camilo a ter sucesso também nas mesas.

Seja pelas características mentais, seja pela competitividade mesmo após o final da carreira ou simplesmente pelo “glamour” que o jogo proporciona, é fato que o poker está entre os esportes preferidos de muitos atletas profissionais – o que valoriza ainda mais a modalidade mundo afora.

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