O contexto mundial de pandemia teve diversos desdobramentos no mundo do poker, e no Brasil não foi diferente. Considerado um dos principais polos do esporte da mente na América do Sul, com torneios locais e internacionais em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Balneário Camboriú, entre outras, o país teve que interromper as atividades ao vivo em virtude das medidas sanitárias.

Embora o cenário atual ainda seja delicado, com números alarmantes de casos de Covid, a chegada das vacinas e a expectativa de imunização em massa ainda este ano já torna possível um prognóstico para o futuro do poker no Brasil nos próximos meses. Porém, uma outra constatação se faz necessária: o poker online terá um peso cada vez mais importante.

Segundo semestre pode ser de retomada

Presidente da Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), principal entidade do país ligada à modalidade, Ueltom Lima acredita na retomada dos torneios de forma gradativa no segundo semestre deste ano, embora essa estimativa ainda esteja atrelada ao avanço da campanha nacional de imunização.

“Eu acredito que iremos resumir as atividades de poker ao vivo em nossa região no segundo semestre deste ano, embora com algumas restrições. Este ano, com o processo de vacinação em massa que vem ocorrendo, a expectativa é de uma grande melhora no cenário, o que permitirá que torneios no Brasil voltem a acontecer nos próximos meses”, diz Ueltom Lima em entrevista exclusiva ao blog.

O país chegou a experimentar uma reabertura das casas e clubes de poker em diversas cidades no final do ano passado, inclusive com a breve retomada de alguns torneios estaduais, mas o aumento no número de casos no primeiro trimestre de 2021 impediu a continuidade dos campeonatos. Agora, a expectativa é retomar o calendário aos poucos, assim que o número de imunizados aumentar e os casos diminuírem.

É importante lembrar que o Brasil é um dos países com mais competições de poker no mundo. Além de torneios como Brazilian Series of Poker (BSOP) e outras marcas tradicionais que já desembarcaram no país, como partypoker MILLIONS, World Series of Poker e Kings Series of Poker, todos os estados contam com os circuitos locais que mobilizam diversas cidades. Também há o Campeonato Brasileiro por Equipes (CBPE), organizando pela própria CBTH, que reúne as seleções de cada estado em um torneio único.

Integração com o online deve ser cada vez mais forte

Embora a pandemia tenha comprometido o cenário de torneios ao vivo, não se pode dizer o mesmo do poker online, que observou um enorme crescimento nos últimos meses. Ueltom Lima acredita que essa tendência de valorização do esporte da mente em plataformas digitais deve ser ainda mais constante, independentemente do retorno do calendário ao vivo.

“Temos o pensamento de que o poker está prestes a experimentar um grande crescimento. Se analisarmos o que aconteceu durante o encerramento das atividades do poker ao vivo, vemos que o online cresceu muito mais, de tal forma que podemos projetar que este crescimento do online também se reflita no poker ao vivo quando as atividades voltarem ao normal. Portanto, estamos confiantes e desejando positivamente que tudo volte ao normal em breve”, completa o presidente da CBTH.

Este pode ser um legado positivo do período de paralisações. Nos últimos meses, o que se viu foi um número cada vez maior de parceiras entre entidades muito ligadas ao poker ao vivo com sites e plataformas de poker online. É o caso do World Poker Tour Online e do Irish Poker Tour, que tiveram suas edições 100% realizadas na plataforma do partypoker. A tendência é que haja uma integração ainda maior entre online e ao vivo daqui pra frente, também pelo fato de essa conectividade quebrar barreiras geográficas e tornar o poker um esporte ainda mais globalizado.
Com isso, é possível que até mesmo os campeonatos estaduais e municipais possam incorporar jogos online nos seus rankings com etapas online – via de regra, apenas os satélites eram jogados de forma digital antes da pandemia.

Brasil segue cada vez mais competitivo

Não há como falar sobre o futuro do poker no Brasil sem mencionar o cenário competitivo local, que apresenta um nível cada vez maior. Nomes como João Simão, Pablo Brito, Brunno Botteon, Dayane Kotoviezy, Yuri Martins, Bruno Volkmann, Pedro Garagnani, Renato Nomura e muitos outros ganharam bastante notoriedade nos últimos meses por seus resultados online e certamente se colocam na elite mundial do poker atualmente.

Por falar em poker online, o Brasil conta com mais de 30 competidores no top 100 do ranking do Pocket Fives, principal monitor de desempenho da modalidade em plataformas digitais. O atual líder é Yuri Martins, que venceu o WSOP online no ano passado.

Esses nomes todos devem ser figuras carimbadas nos torneios ao vivo quando o cenário retomar à normalidade. Enquanto isso, o online segue como ótima alternativa – e não deixará de ser relevante mesmo após a retomada. A grande lição é que poker online e poker ao vivo estarão cada vez mais integrados não apenas no Brasil, mas no mundo todo, mostrando que o esporte da mente sai fortalecido dessa enorme crise.

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