O nome “Pedro Fernandes” não era conhecido do fã de poker até o dia 8 de julho. Pedro, nos portais da modalidade, costuma vir seguido de “Padilha”, “Madeira” e “Garagnani”. 

Há duas semanas, isso mudou, e “Fernandes”, nosso personagem da semana, surgiu nos holofotes, quando protagonizou um dos um dos grandes desempenhos brasileiros de julho, ao vencer o Evento Principal da World Cup of Cards, conquistar 166 mil dólares e passar por cima de um field composto, especialmente na reta final, por alguns dos melhores regulares do poker internacional.  

Ele tinha um plano

Era noite de segunda-feira, 5 de julho, quando Pedro, brasiliense de 25 anos, viu a sua frente a “chance da vida”.  Depois de passar pelos Dias 1, 2 e 3, ele estava no palco desejado: na mesa final de um torneio de primeiro nível do poker internacional, em meio à elite do jogo.   

Único representante do Brasil naquela mesa final do ME da World Cup of Cards, o jovem profissional chegava à decisão com  31.841.707 em fichas e o terceiro maior stack entre nove sobreviventes. 

Junto com ele na FT, havia um time cheio de craques: Christian Rudolph (líder, com 45.461.136), Mikhail Mikheev (38,006,492), Joel Nystedt (24.053.330), Peter Chien (17.771.040), Nikita Kalinin (12.451.304), Andras Nemeth (12.241.476), Dmitry Yurasov (11.289.173) e Finn Kruck (8.484.342).  

Todos os nomes bem conhecidos – inclusive alguns astros internacionais. Para se ter uma ideia, o húngaro Andras Nemeth, especialista tanto em PLO como em NLH, é um dos maiores nomes do universo dos High Stakes; o alemão Christian Rudolph não fica atrás; apenas no último ano, o craque acumulou títulos de expressão como os do High Roller do MILLIONS Online e do Main Event da WPT Online Series; e assim por diante.

A zebra – pelo menos para os mais desavisados – era o brasileiro, cujo nome – especialmente sem estar acompanhado de nenhum nick online – era desconhecido até para boa parte da comunidade nacional do poker. Pedro sabia que não era favorito, mas ele queria o troféu e tinha um plano a seguir.

Bastidores: fazendo o sonho acontecer

Existia muito dinheiro em jogo na decisão do ME da WWC, mas Pedro Fernandes, antes de qualquer coisa, queria provar a si mesmo que poderia competir contra os melhores. E para tornar real seu sonho, ele usou contra os rivais a arma que eles não poderiam usar contra ele, um jogador pouco conhecido: destrinchar o jogo de cada um. Estudar cada detalhe dos rivais famosos que pudesse fazer a diferença numa mesa final.

Normalmente, não há tempo hábil para uma preparação minuciosa antes de decisões no poker online. Havia, porém, neste evento três dias entre formação e a disputa da mesa final. Uma ‘janela’ que nem parece tão longa, mas foi suficiente para as coisas acontecerem. 

Grupo de Whatsapp com os amigos

O primeiro passo de Pedro foi criar – junto a Guilherme “guix2x” Brasileiro e Pablo “Pablos701” Wesley, seus dois amigos mais próximos no poker – um grupo no whatsapp para estudar um a um seus rivais e definir a melhor estratégia para cada um. 

Guilherme, instrutor da equipe CNC Poker, e Pablo são regulares lucrativos com boa experiência nos mid stakes e ajudaram Pedro definir uma estratégia para se destacar na decisão.

Ajudado pelos amigos, Pedro consumiu todo conteúdo que pôde e estudou a fundo o estilo, as tendências  possíveis leaks dos rivais por meio de um farto material de vídeos disponíveis em plataformas como YouTube e Twitch. 

”Sorte que tinha alguns jogadores conhecidos. Então, deu pra ver muita coisa. Essas mesas finais com cartas reveladas ajudam demais”, conta Pedro. “Eu fiz um grupo com esses dois amigos. Então a gente foi separando player por player e estudando cada um. Pegando todas as informações possíveis”. 

Prevendo jogadas: call decisivo estudado

A organização foi fundamental para dar ao brasilerio um edge sobre o field. E os frutos vieram já na terceira mão. Quando tinha 30.904.207 fichas e era o terceiro maior stack do torneio, Pedro encontrou seu primeiro spot difícil e decisivo no torneio. 

Já na terceira mão da mesa final, com e um board , o brasileiro, em vantagem, com um top pair, fez um call muito difícil quando o canadense Peter Chien apostou 12.050.000 (metade do pote de 24 mil).

“Uma informação que consegui era que ele era um regular que quando apertado poderia inventar mais do que o normal”, diz Pedro, sobre Chien, que terminou o pote com apenas 3 milhões de fichas, na lanterna, e foi eliminado, pouco depois, na sétima colocação, com $17.212. “Foi essencial em uma das mãos cruciais no meu torneio (…) me deixou chip-líder logo cedo, o que com toda certeza foi fundamental”.

Logo de cara, o trabalho deu resultado. Não tivesse estudado o jogo de Chien, Pedro não teria feito o call, uma das jogadas mais decisivas do torneio; o brasileiro talvez tivesse saído entre os primeiros eliminados, talvez não tivesse conquistado a maior premiação da carreira, talvez não fosse nosso personagem nesta reportagem.

Dos possíveis cenários dessa realidade alternativa, nenhum frustraria mais o campeão do que perder a chance de bater de frente com tantos grandes rivais. No fundo, bem mais que a premiação, era esse o principal objetivo do jogador. 

“A questão para mim não era nem o mini cash porque não era esse o meu foco. Eu queria  muito ganhar dos players que estavam me enfrentando. O problema não era cair em nono e ficar só com 13 mil. A parada era não cair em nono”, diz Pedro. “Eu queria pelo menos bater de frente. Se eu batesse no 3-handed e caísse num cooler eu estaria tranquilo. Eu só não queria ser o primeiro a cair”.

“Você sabe que você vai gabaritar. Você sabe que vai muito bem”

Perguntado pelo blog do partypoker sobre quais seriam suas maiores qualidades no poker, Pedro afirma:  “É o estudo de mesa final. A minha maneira de jogar por ICM”.

Com muito dinheiro em disputa, ele fez uma preparação para essa FT de orgulhar até os mais estudiosos. E, no momento decisivo, fez o que fazem os melhores: Não tremeu. Encarou o jogo pelo jogo. Jogando mão a mão e fazendo ajustes rival a rival. E levou a melhor contra todos, porque havia se preparado melhor que todos.

“Eu fiquei muito mais nervoso antes do que na “hora H”, porque na hora H eu já tinha todas as informações que eu precisava. Foi como se preparar para um vestibular ou para uma prova muito importante. Você sabe que você vai gabaritar. Você sabe que vai muito bem”, conta o jogador, sem falsa modéstia.  

Pedro faz outro call decisivo. Desta vez contra Nemath

Pedro faz outro call decisivo. Desta vez contra Nemath

“Eu já sabia que iria bem, porque eu tinha estudado muito mais que qualquer outro na mesa. Ninguém foi atrás de mim porque eles não teriam essas informações no Twitter. O nervosismo passou a ser um sentimento de realização”, diz o campeão. “Estava acontecendo a jogada e, simplesmente, falava: caramba, eu estudei isso. Eu sabia o que fazer. Foi uma sequência de coisas que estavam dando certo. Coisas que eu já tinha estudado e que, na hora, foi só colocar em prática”.

E assim: um a um foram todos caindo, até sobrar, no 3-handed Mikhail Mikheev e Rudolph. 

O austríaco, que tinha sido o jogador mais estudado por Pedro, foi quem terminou em terceiro e definiu a formação do heads up. “Assisti a muitas mesas finais em que ele jogou. Peguei alguns sizes tells e jogadas meio fora da curva”.

Na decisão, o brasileiro superou o ‘vilão’ russo, depois de fazer acordo e ficou com o título sonhado. “O sentimento de ganhar uma premiação tão grande em poucas horas é gratificante, porque a gente trabalha a vida inteira para esses momentos. Na hora que estava tudo acontecendo, eu senti que eu fiz tudo para estar aqui”.

Uma vida discreta, mas de muito sucesso no poker

Pedro se preparou para essa mesa final da maneira mais organizada e bem planejada possível. Além da análise de vídeos, ele conversou com regulares de mesas high stakes e acostumados a jogar com seus rivais naquela decisão. 

“Perguntei para amigos como Caio Pessagno, Diego Ventura, Thiago Grigoletti, Dalton Hobold e Eli Fagundes um pouco mais sobre os players conhecidos”, conta Pedro.

Mesmo pouco conhecido até o começo do mês, Pedro não era um jogador qualquer. E essa afirmação pode ser comprovada por meio de cada movimento do jogador: nos bastidores, na preparação, nos moves na FT e também conhecendo um pouco da sua história no poker, que já dura cinco anos. 

Discípulo de Yuri Martins e Diego Ventura

Profissional desde 2016, quando tinha 20 anos e estava no segundo ano de faculdade, Pedro tem um buy-in médio de $150, conquistado por meio de muito estudo e um longo histórico de troca de experiências com grandes nomes do poker nacional nos últimos cinco anos.  

Tudo começou em 2016, quando o jogador entrou para o extinto Time da Forra, comandado na época por Yuri Martins e Diógenes Malaquias. Desde então, passou por theNERDgroup (também comandado pelo craque de Curitiba),  bitb Brasil e Standard Backing.

“Quando o Yuri saiu do Time da Forra, ele levou alguns jogadores para o TheNERDGroup, que, depois, foi absorvido pelo bitb Brasil. Chamaram o Yuri para ser chefe lá e ele levou a maioria. Daí eu fiquei no bitB Brasil até ele fechar, em março de 2020”, conta Pedro, que – com exceção de uma breve passagem de dois meses pelo Standard Backing – joga há dois anos por si próprio. 

Em cerca de quatro anos, Pedro passou por quatro times e evoluiu profundamente no jogo com a ajuda de diversos instrutores. 

“Quero citar meus primeiros coachs no time da forra: o Hildon ColinsFil Carrapito e o Patrick “Nelepo10” Ulysséa”, diz Pedro. “Depois, continuei evoluindo mas são muitos nomes”, diz o jogador que volta a lembrar seus companheiros de estudo, “gux2x” e “Pablo701”, e ressalta a importância de seus chefes Yuri e Diego Ventura

O craque peruano, com fortes laços com o poker nacional, era, junto com Yuri, um dos líderes do projeto do bitB Brazil (encerrado em 2020) e foi, para Pedro, um mestre no jogo e, sobretudo, na vida:

“O Yuri, que foi meu instrutor quando eu desde o meu começo, em 2016, até o final do bitB Brasil, no ano passado, tem uma participação gigantesca. Assim como o Diego Ventura. Ele, além de meu chefe, foi meu life coach. Então, o Diego me ajudou não só no poker como no pessoal. E acho que está tudo atrelado”.

Foi Diego que mais ajudou Pedro quando ele, depois do encerramento do bitB, quis jogar por conta e teve dificuldades com seu bankroll. 

A dificuldade é coisa do passado. Hoje, Pedro Fernandes, embora muito discreto e reservado, é um regular lucrativo e capaz de façanhas como a alcançada na última Copa do Mundo de Cartas. 

É daqueles sharks que arrancam seu dinheiro quando você menos espera. Tanto assim que ele não revela nick atual no partypoker – o antigo, “Tchaubrigado, usado até 2019, registra um gráfico altamente lucrativo, com saldo positivo de mais de $ 60 mil (só no partypoker). 

“Esse é meu jeito. Não curto muito ficar expondo meus resultados. Sou um apaixonado pelo jogo. Uma pessoa trabalhadora que gosta do que faz. Quero estar entre os melhores. Quem sabe ser um dos melhores do mundo”, diz o jogador.

Estar na elite é um sonho alto, mas para gente como Pedro – com o estilo de estudar, planejar e fazer – o céu é o limite. De qualquer modo, ele vai no tempo dele: “sou uma pessoa calma e muito focada e não tenho muita pressa”.

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