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Entre as diversas variantes de poker espalhadas pelo mundo, uma das mais peculiares, sem dúvidas, é o Badugi. Essa vertente do esporte da mente surgiu na Ásia e ganhou muita popularidade na internet – chegando inclusive a compor alguns eventos mistos da World Series of Poker.

Nomes como Jean-Robert Bellande e Daniel Negreanu já declararam seu apreço por esse tipo de poker, jogador com quatro hole cards e sem nenhuma carta comunitária, além de outras regras bem singulares. Ficou curioso? Confira abaixo como funciona o Badugi Poker.

Funcionamento básico do Badugi

O Badugi é um jogo do poker low-ball, ou seja, as cartas menores são as mais valiosas. Mas há outro fator que torna a disputa mais singular: quanto mais cartas de naipes e valores diferentes, mais chances de vencer os potes. A versão tradicional é jogada com o baralho cheio, ou seja, 52 cartas – embora também seja possível jogar com o baralho capado do 2 ao 7, por exemplo, o que acabaria limitando o número máximo de jogadores.

O jogo começa com cada competidor recebendo quatro cartas, como no Omaha Hold’em. O sistema de blinds também é o mesmo dos jogos tradicionais, com big blind e small blind. Nas vertentes mais populares, o badugi é jogado no sistema Fixed Limit ou Pot Limit, ou seja, com limitação nas bets.

As semelhanças com as variantes dominantes de poker param por aí. Afinal, não há cartas comunitárias – ou seja, os competidores dependem unicamente das próprias hole cards para formar a melhor mão possível (ou pior, dependendo do ponto de vista).

No entanto, o que traz dinamismo à partida e, consequentemente, às apostas, é a possibilidade de trocar cartas. Cada um pode descartar uma ou mais cartas antes de cada rodada de apostas, mas não é uma obrigatoriedade, ou seja, quem estiver contente com aquilo que recebeu, pode conservar até o final.

Os jogadores têm três oportunidades para realizar a troca de suas cartas – o que também significa dizer que há até três rodadas de apostas antes do showdown para determinar o vencedor da mão.

As melhores mãos possíveis

Como já foi explicado, o Badugi é um jogo low-ball, em que a “pior” mão de quatro cartas acaba saindo vencedora – assim como no Razz. No entanto, como em algumas outras vertentes de poker, o ás sempre é contado como a carta mais baixa, ou seja, continua sendo a mais “forte”.

Porém, há uma regra que torna a disputa interessante: apenas uma carta de cada naipe e cada valor conta na formação final da mão. O ideal, portanto, é ter uma carta de cada figura. A mão mais forte possível é o A 2 3 4 com naipes diferentes.

A mão vencedora é determinada por aquela que possui a menor carta. Portanto, uma mão 2 5 7 9 vence uma outra 3 J Q K por possuir a carta mais fraca, que é o 2. Se houver um empate na carta mais fraca, a decisão vai para a segunda carta, e assim por diante – independentemente do naipe. 

Isso não significa que é impossível vencer segurando naipes repetidos. Se ninguém tiver uma mão com 4 naipes distintos, o vencedor será determinado pela melhor mão de três cartas.

Vamos a um exemplo: se um jogador segura 2 e 7 de paus, 9 de copas e K de espadas, sua mão final será 2 9 K, descartando-se, portanto, o 7, já que ele é mais forte que o 2. Essa mão seria suficiente para vencer, por exemplo, uma mão 4♥ 7 ♥ 10♦ Q♣ (neste caso, o 7 seria descartado por ser mais forte que o 4). Isso porque o 2 seria a carta mais fraca em questão. A ideia é a mesma caso um jogador possua cartas de igual valor, pois uma delas seria descartada. Portanto, em uma mão com 2 ases, um deles seria descartado na composição da mão final, deixando o jogador com uma mão de 3 cartas (ou menos).

Porém, vale lembrar que qualquer mão de quatro cartas vence as de três cartas. Isso significa dizer que uma mão com 10 J Q K , que teria poucas chances contra qualquer outra mão de quatro pela força das cartas em questão, venceria uma mão A ♥ A♣ 4 ♦ 6♠ – que nesse caso seria uma mão de três cartas, já que há repetição de ases.

Também há mãos de duas cartas e até mão de uma única carta – caso os competidores possuam todas as cartas do mesmo naipe ou valor (algo que é bastante improvável, visto que há os descartes em três rodadas). Neste cenário improvável, uma mão 4 7 9 Q venceria outra formada por 5 6 9 J , já que a carta mais fraca em questão é o 4. Porém, essas mãos perderiam para qualquer outra de 2, 3 ou 4 cartas.

Em suma, trata-se de um jogo em que a estratégia fundamental é buscar cartas de naipes distintos para ter mais chances, preservando sempre aquelas de menor valor. É um tipo de poker nada parecido com o Texas Hold’em ou outras vertentes mais populares, mas é uma boa pedida para quem quer um jogo diferente do comum para variar um pouco…

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