Em sua página oficial, o partypoker define João Simão  (30 anos) como um jogador “temido, respeitado e devorador”. Eis adjetivos que traduzem perfeitamente esse craque; ou melhor, esse Tubarão.  Devorador de prêmios, temido e respeitado por adversários no Brasil e no mundo. Dominante e vencedor no online e também no live, esse mineiro, nascido em Belo Horizonte, conquistou o planeta poker ano que passou.

Em 2018, o jogador – que atua como embaixador do partypoker – foi o jogador mais vitorioso do Brasil. E seus melhores resultados vieram nos torneios ao vivo, com destaque para os High Rollers do circuito partypoker MILLIONS – festival símbolo da sala do Diamante Laranja -, somando mais de $ 1.2 milhões em premiação.

Ainda assim, não faltaram glórias para Simão no online, há muitos anos sua especialidade. O mineiro foi destaque latino-americano na Powerfest – tradicional série online do partypoker.

Em entrevista, o craque mineiro falou sobre a temporada que se foi e sobre muito mais: Família, seus primeiros dias como jogador, sua evolução no game, sua atuação como embaixador do partypoker e seu futuro na modalidade são alguns dos temas mais palpitantes desse bate-papo com o jogador mais vitorioso do país no momento.

Confira, a seguir, a entrevista joaosimaobh:

Você é engenheiro civil ou pelo menos estudou engenharia, mas decidiu virar jogador de poker. Por quê?
Estudei engenharia civil, mas antes de concluir, decidi me dedicar integralmente ao poker. Vi que o poker era um desafio que me manteria feliz e alimentava um sonho.

No mundo poker não são muitos os que conseguem os resultados que você consegue. Qual é sua fórmula?
Não tenho e não acredito em fórmula secreta. Acredito em trabalho duro. Meu avô me ensinou “ninguém planta tomates e colhe cebola”. Ou seja, quer colher resultados de um campeão? Tem que plantar toda renúncia e suor.

Como é estar casado com uma jogadora de poker. Como Luiza ajuda na sua carreira?
Acho que o casamento em geral, te ajuda a ser mais responsável, disciplinado. Atrapalha por tomar tempo e energia que poderiam ser usados pra minha evolução como jogador. Com filhos então… Especificamente, estar casado com uma jogadora é bom. Ajuda a entender meu mundo.

Com relação aos filhos, a Luiza assume a responsabilidade nos momentos que um de nós precisamos abrir mão de jogar, além de sempre viajarmos com uma baba

Com sua esposa Luiza, posando para as câmaras de CodigoPoker

No começo do ano, vocês dois se enfrentaram no LAPC. Como foi a experiência?
Jogar uma mesa final com ela foi incrível, ainda mais de um torneio de tão alto nível. Estava duplamente feliz, mas, naturalmente, como um amante do poker, buscamos nos enfrentar normalmente, encarando como adversários. Acho que jamais teria o mesmo orgulho desse resultado, se fizéssemos algum softplay. Acabei eliminando ela, o que foi um sentimento horrível naquele momento, mas que ela não teve nenhuma mágoa pela minha ação. Hoje lembramos com muito carinho deste dia, com muito orgulho.

Neste ano, você teve grandes resultados nos grandes High Rollers do poker ao vivo, especialmente, no MILLIONS de Rozvadov, mesmo sendo um especialista do poker online. A que atribui esse sucesso?
Na verdade, sou um defensor dos especialistas online, por motivos óbvios. Jogamos milhares de mãos por dia, centenas de torneios por semana. Estudamos diversas estatísticas com uma amostragem absurdamente maior. Isso se traduz em uma “escola” muito mais completa que a do poker ao vivo. Qualquer especialista online que se esforçar para adaptar bem as particularidades do poker ao vivo, fará bonito.

Eu tive a facilidade de ter vivido por anos de cash games ao vivo, então foi uma adaptação bem tranquila. Termino 2018 como #1 do Brasil, nos rankings online e ao vivo, assim como POY online e ao vivo. Acho que qualquer especialista online que se dedicar ao vivo, alcançará o mesmo feito. Agora, como todo respeito, duvido muito que um especialista ao vivo, consiga.

Em 2016, você foi três vezes número 1 do mundo do Pocketfives. Ser número 1 é uma meta para você?
Foi muito legal em 2016 alcançar o topo do mundo. Mas não tenho esse objetivo. Meu principal foco está nos meus filhos. Abri mão de tudo por alguns anos. Nem mesmo em festa de aniversário da minha esposa eu ia. Fiquei 2 anos sem celular. Literalmente, me isolei pra alcançar meus objetivos. Vale MUITO a pena, desde que saiba a hora de equilibrar e começar a colheita. Chegou minha vez de colher. Quero ir nas apresentações da escola, não abro mão de viajar com todos, quero participar da educação e evolução deles diariamente. Estou realizado como profissional.

Junto ao argentino Richard Dubini, seu companheiro de equipe.

Você disse recentemente que pensou em se aposentar, mas o projeto do partypoker te motivou a seguir jogando e renovar seu contrato. Por que você mudou de ideia e que importância tem essa parceria na sua carreira?
Eu pensei em me aposentar. Na verdade estava decidido. Pelos motivos que citei, família, hora de colher os frutos, dar sentido a tudo que renunciei lá atrás. Em Bahamas, durante o Millions, sentei com os 2 principais nomes da empresa, que fizeram questão de pessoalmente me pedir pra continuar essa jornada. Me senti sem escolhas. Ter o reconhecimento de pessoas que lidam com decisões milionárias todos os dias, vai muito além de qualquer salário. Além do mais, pedi algumas coisas que me ajudariam a retribuir todo apoio que a nossa comunidade sempre me deu, e eles não pensaram duas vezes. Pelo contrário, reconheceram o apoio latino ao Partypoker e ofereceram o dobro de investimentos e projetos pra nossa região. Tinha como ficar de fora disso?

Quem é João Simão, além de um grande jogador de poker?
A única coisa que sou mais que jogador de poker é um cara família. Particularmente, sem minha família, eu não chegaria a lugar nenhum. Alguns encontram combustível no Ego, outros nos sonhos, outros no dinheiro. Eu encontro neles. Quero ser um exemplo para minha família. Quero dar segurança pra eles. Não me importa se eles querem ser jogador de poker engenheiro ou lixeiro. Se eles fizerem com plenitude e amor, minha jornada terá valido a pena.

E qual a importância da fé na sua vida e carreira?
A fé é algo muito importante pra mim. Me da forças nas horas mais difíceis, torna fácil ser uma pessoa correta e me da certeza que independente dos obstáculos que apareçam, se eu encarar com dignidade, lá na frente eu vou entender o propósito.

Quais objetivam lhe restam no poker?
Não tenho objetivo pessoal nenhum no poker. Sou extremamente grato com todas conquistas e realizações. Meu objetivo no mundo do poker, agora, é ver o partypoker reconhecido como melhor e maior site do mundo. Estamos trabalhando duro pra isso, as melhorias são claras, estamos no caminho certo. É questão de tempo!

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