Em setembro deste ano, Victor Simionato, 23 anos, – então um jogador desconhecido – veio aparentemente do nada e conquistou o quinto lugar no Main Event do WPT World Online Championship. O jovem protagonizava a melhor ‘história de Cinderela’ do poker brasileiro em 2020, ao transformar um bilhete de satélite $ 22 numa entrada de US$ 10 mil e, posteriormente, em premiação de US$ 391.257.

Bem, eis que este jovem nascido em São Paulo, mas criado na cidade de Marília, não apenas foi personagem da melhor história do ano, mas é também protagonista de um dos casos mais impressionantes de volta por cima já proporcionados pelo poker. A arrancada de $ 22 a US$ 391 K (2 milhões de reais) é só a ponta do Iceberg.

Quase um mês após a consagração no WPT WOC, Victor – que ficou off nas últimas duas semanas, viajando para Florianópolis – conversou com o blog do partypoker. Falou da conquista e relembrou detalhes de história relativamente curta no poker, que começou há seis anos, mas conta com capítulos e reviravoltas que ‘até deus dúvida’.

“Quando eu decidi virar profissional ninguém me apoiou”

Victor conheceu o poker em novembro de 2014, numa viagem entre amigos ao Guarujá, cidade no litoral sul de São Paulo.  O contato com o jogo teve o efeito de uma epifania na vida do jovem, então com 17 anos, e alterou o rumo de sua vida.

“Tudo começou com uma viagem entre amigos na praia. Um amigo levou uma maleta e, como chovia muito, a gente passou o tempo jogando poker”, lembra Victor. “Todo mundo era iniciante total e para mim aquilo foi uma paixão à primeira vista”.

No começo de 2015, Victor – seguindo o caminho traçado por seus pais – chegou a ingressar na faculdade de Engenharia Mecatrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mas o ‘bichinho’ do poker já havia mordido o jovem e lhe colocado uma pulga atrás da orelha.

O poker não saia do imaginário de Victor. Apaixonado, queria ser profissional. Assim, sem hesitar, em junho do mesmo ano, abandonou a faculdade para buscar um futuro no jogo.

“Quando decidi jogar poker profissionalmente, estava cursando o primeiro semestre da faculdade. Já tinha algum contato com o poker; jogava com meus amigos e tal, mas não tinha experiência”, lembra Victor. “O mais difícil é que quando eu decidi largar tudo e virar profissional ninguém me apoiou. Meus amigos diziam que eu era maluco. Minha mãe chorava. Meu pai não aceitou”.

De repente, virou profissional. Mas era isso. Naquele momento, só tinha mesmo a cara, a coragem, muita vontade e um sonho.

Primeiros passos desastrados

É comum a desaprovação da família – por conta de preconceito e falta de informação – diante da escolha de um filho pelo profissionalismo no poker e de uma mudança de planos tão grande. No caso de Victor, para piorar, as coisas não deram certo nos primeiros meses.

O jogador não tinha uma base consistente de estudo para iniciar uma carreira profissional e não tinha um bankroll que lhe permitisse errar. De maneira até previsível, os primeiros passos foram marcados por muitas oscilações.

“Foi um período muito difícil. Depois que larguei a faculdade eu também estava perdido. Não tinha ajuda de ninguém. Então eu rodava de clube em clube, procurando alguém que me cavalasse. Sempre atrás de migalhas, sem nenhuma estrutura”, diz o jogador, sobre o período entre junho de 2015 e junho de 2016, em que esteve totalmente quebrado e ‘sobreviveu’ buscando um investidor em cada esquina. “Ao mesmo tempo que eu estava indo atrás do meu sonho, era como se as coisas não estivessem indo a lugar nenhum”.

Conversa com a família

Após um ano acumulando experiência, muitas frustrações e pouco lucro, Victor pediu a sua família apoio financeiro para poder evoluir no jogo. Queria estudar para ser mais competitivo.

Victor rodada de clube em clube em busca de investidor

O pai, novamente, viu a iniciativa com ressalvas, mas a mãe aceitou fazer um depósito para Victor jogar para time de cash game Best Poker Coaching, comandado pelo instrutor Alan Jackson.

Durante a parceria, que durou cerca de um ano, o jogador construiu um bankroll: entrou com US$ 70 e chegou a US$ 2500. Mas outra oscilação voltou a marcar a trajetória do jogador. Já em 2017, quando vivia seu melhor momento até então, Victor viu seu jogo cair de rendimento após o fim de um namoro.

O rompimento afetou a rotina do jogador, que, desanimado, perdeu o foco e diminuiu seu volume de grind diário. Pouco depois, foi dispensado da equipe e voltou a jogar por conta, mas dessa vez com um bankroll considerável para poder ganhar a vida.

As coisas, contudo, não aconteceram como ele gostaria. Em três meses, a banca foi para o ralo e Victor quebrou pela segunda vez.

Vivendo (e aprendendo) na rua…

Embora tentasse a realização de um sonho, nos primeiros anos, em alguns momentos viver de poker foi quase um pesadelo. Querendo ser um profissional de sucesso – mas sem saber como –, Victor teve a mente tomada por angústia e a rotina por hábitos ruins.

Em 2018, quatro anos depois de conhecer o jogo e três anos depois de iniciar sua tentativa de ser um Pró, chegou ao fundo do poço. No auge da crise, o jogador, sem conseguir lidar com as frustrações e os desentendimentos com a família, fugiu de casa e morou em um abrigo para pessoas sem teto em Marília, por uma semana, onde conheceu mais sobre a vida do que em 21 anos de vida até aquele momento.

“Cheguei até a fugir de casa. Morei na rua alguns dias. Estava maluco com a vida. Nada dava certo”, lembra Victor, hoje um jovem milionário.

“Só existem dois tipos de pessoas”

Dos tempos no fora de casa, Victor lembra-se perfeitamente da conversa que mudou sua perspectiva de vida. O ensinamento partiu de um senhor sem teto cujo o nome ele não se lembra, mas cujas palavras o jogador é capaz de repetir, letra por letra.

“Conversei com um cara e ele falou algo muito bonito para mim. Existem dois tipos de pessoas – e isso fica muito claro quando você não tem mais nada: os que ainda acreditam em alguma coisa e os que deixaram de acreditar. E os que não acreditam em mais nada apenas são levados pela força da vida. Você vai sendo empurrado, batendo como uma bolinha de pinball ou pingue pongue”, lembra Victor, que tomou a lição com um ponto de partida para seu recomeço. “Aquilo fez eu acordar para a vida. Porque eu sabia que (o poker) era aquilo que eu queria. Mesmo que, passado um ano, em ainda não entendesse exatamente o que significava ser um jogador de poker”.

De volta para casa: apoio da mãe e recomeço nos MTTs do partypoker

A experiência de chegar ao ponto mais baixo possível fez mudar a maneira de Victor encarar a vida e ajudou a fazer as coisas começarem a acontecer na carreira do jogador.

“Após esses cinco dias, eu despertei. Eu voltei para casa e conversei abertamente com a minha família que eu estava decidido a ser profissional de poker, mas que eu precisava de alguma ajuda deles”, conta Victor.

A ajuda financeira veio novamente. Mas antes disso, Victor fez um curso de meditação budista que, segundo ele, mudou sua maneira de enxergar a vida.

Retiro espiritual foi fundamental na retomada da carreira

Retiro espiritual foi fundamental na retomada da carreira

“Foi maravilhoso. Foram 11 dias de ensinamento e que me colocaram em contato com meus problemas e me fizerem perceber quem eu era e me libertaram de todas as amarras que me prendiam”, diz o jogador. “Por três anos eu só respirei poker.  Não fazia quase mais nada. E esse curso de meditação me deu a disciplina que seria necessária para alcançar o meu objetivo”.

Terminado o retiro espiritual, Victor fez depósito no partypoker de 500 dólares, emprestados por sua mãe.

“Essa foi a minha última chance de dar certo. Após fazer o curso (de meditação) minha mãe decidiu me ajudar pela última vez. E foi aí que as coisas engrenaram”, conta o jogador, que nas primeiras semanas na sala era regular de NL10 e jogava esporadicamente torneios pequenos.

Uma rotina que mudou em setembro de 2018, quando conseguiu seu primeiro hit, ao vencer um torneio de série de US$ 5.50 e faturar US$ 1.5k: “Esse resultado me deu um choque. Com US$ 5.50 (de buy-in) eu consegui US$ 1.5K. E daí comecei a prestigiar mais os torneios. Foi quando percebi que a parada são os MTTs”.

Assim, Victor virou regular nos MTTs do partypoker e passou a ser o que sempre quis. Lucrativo no poker online.

No final de 2018, vieram mais dois hits ainda maiores: um num torneio de $ 33 da Monster Series e outro US$ 215 Sunday Bounty Hunter, com entrada também conseguida via satélite.

Desde então, o poker realmente vem sendo uma profissão e a rotina do jogador tem sido saudável. Neste ano, antes de entrar para a história do poker nacional ao conquistar o quinto lugar no Main Event do WPT WOC, o ABI (Buy-in médio) do jogador era de US$ 55. No cash game, onde ainda atua em 25% do tempo, costuma bater as mesas de NL100 e NL200.

Atualmente, com quase meio milhão de dólares na conta, ele vê o futuro com cautela: “Eu quero comprar uma casa para mim montar um QG e quero focar na saúde do meu corpo, ter uma rotina de exercícios físicos e uma dieta balanceada”.

“Meu objetivo nem era conseguir uma forra dessas (se referindo ao ME do WPT WOC). Minha meta no poker era só me bancar e ter dinheiro para fazer minhas viagens”, lembra o jogador.

Foram seis anos de muita luta e Victor sabe que não foi nada fácil. Mas ele venceu. Atingiu todos os seus objetivos e muito mais. Bendito o dia em que fez o último depósito no partypoker.

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