No poker desde 2016, o pernambucano Eduardo Lobo, 27 anos, ainda não tinha experimentado esse sentimento. Era madrugada de sábado para domingo no Recife e ele queria descansar. Tentava dormir, mas em vão.

Com o coração a mil por hora. Dormia algumas umas horas no máximo, mas acordava em seguida. Tentava de novo e logo estava de pé.

Às vezes, ligava o computador para checar o lobby do WPT Big Game, no partypoker.  Na lista de inscritos, junto com os maiores jogadores do mundo, estava seu próprio nome.

“Não tinha como dormir. No máximo era um cochilo de 1/2 horas. Não tem como descrever a oportunidade de jogar o torneio com os melhores do brasil e do mundo”, conta o jogador, que ainda dá os primeiros passos na carreira, e conversou com o blog do partypoker nesta semana.

“Eu olhava o lobby e ficava sem acreditar. O único ”trouxa’ era eu”. Tinha cara que cravou WSOP. Jogadores acostumados a torneios de $25k e $100k surreal”.

De ”Trouxa”, Eduardo – que vinha de uma semana fazendo muitos estragos no partypoker – não tem nada. Mesmo assim, é natural que rivais de nível tão alto lhe dessem frio na barriga.

Em poucas horas, sabia ele, estaria num tanque, cercado de ‘tubarões’. De todos os tipos e nacionalidades – de high-rollers lendários, como Steve O’Dwyer e Stephen Chidwick , a fenômenos do poker online, como Yuri Martins e Patrick Leonard . Tinha razão de ser a insônia.

De $ 5.50 a $ 5.300

Quando o dealer virtual distribuiu as primeiras cartas no WPT Big Game, Eduardo estreou oficialmente no torneio de buy-in mais caro que já havia disputado.

Nosso personagem nesta semana é profissional e atualmente é integrante da a equipe Guerreiros Poker Team. Longe da realidade dos eventos de 5 mil dólares, Eduardo atua em torneios com buy-in médio de $ 2.4.

Bruno Volkmann, um dos craques no field do WPT Big Game

Para chegar ao WPT Big Game – torneio de nível mais alto no poker online – ele enfrentou e superou uma maratona de três satélites, nos valores de $ 5.50, $ 55 e $ 530 dólares.

“A ficha só começou a cair quando me classifiquei do step de 55 pro 530. Onde já sabia que iria pegar um field casca”, admite o jogador.

No classificatório de 530, último passo antes da vaga no torneio de US$ 5.300, teve contato com os primeiros jogadores da elite do poker online. “No satélite de 530, travei uma minha briga de blinds com Alex Foxen, um dos melhores do mundo atualmente”, conta o grinder. Foi um bom aperitivo para o que estava por vir.

“Antes de começar a gente imagina tudo de bom né?”

Os torneios satélites – especialmente presentes no partypoker – são passaporte para um mundo de sonhos. A vitória de Chris Moneymaker no Main Event da WSOP, em 2003, depois de conquistar vaga no torneio por meio de satélite, fez explodir o poker online. É o exemplo mais famoso, mas há tantos outros, como o caso do grinder eslovaco Blaž “Scarmak3r” Žerjav , que transformou US$ 5 em $1,3 milhão, no MILLIONS Online, de 2018.

Mesmo com dificuldades para dormir na véspera, Eduardo sonhava com a cravada, uma mesa final ou pelo menos um ITM.

“Antes de começar a gente imagina tudo de bom né? Sensação única, cada CBet que passava e eu recolhia as fichas o coração batia mais que tudo. A primeira dobra foi sensacional, bate aquela euforia e emoção. Não tem como”, admite o jogador.

Emoção e aprendizado

Um torneio de poker é um turbilhão de emoção, mas também local de aprendizado. Quando se joga um evento em que o mini-cash é de 12.500 dólares (mais de 60 mil reais), a intensidade da experiência muito maior.

Eduardo teve, ao todo, pouco mais de quatro horas de participação no WPT Big Game, mas que valeram como 40 ou 400, tamanho a chance de evoluir jogando contra super craques do poker.

“Apesar de não ter jogado por tantas horas – o torneio começou às 13:00 e eu cai no fim da tarde por voltas das 17:00 –, deu para aprender as linhas que eles utilizam de overbet turn, bastante check-raise flop e extração de valor”, conta o jogador. “Teve uma dobra do Bruno Volkmann em que ele shova no river, o vilão paga e ele dobra. Bruno tinha sequência, em um board com flush. Ele quase overbeta all-in, mas era bom. Eu nunca teria agido daquela maneira. ”

Com os melhores do mundo no field, inegavelmente Eduardo aprendeu muito. Mas ele desejava mais que isso. Havia US$ 1 milhão GTD em jogo e ele queria uma parte para si. E em alguns momentos o sonho pareceu próximo.

Com 33 blinds, teve seus momentos. Conseguiu a primeira dobrada. Depois de um cooler – AA vs AK – a seu favor, ficou bem posicionado no meio da tabela e jogou mãos memoráveis, contra gênios e grandes ídolos da modalidade.

Em uma delas, o jogador levou a melhor em duelo contra Chidwick, para muitos – incluindo Eduardo – o melhor do mundo.

Stephen Chidwick, melhor do mundo, foi rival por um dia

Com , do small, o brasileiro fez limp, à espera do raise de 3,5x do britânico. “Era uma oportunidade muito boa para fazer blind war”, diz Eduardo, explicando sua linha de raciocínio. “O stack efetivo é meu, de 33bb. Vem o flop e ele faz c-bet de 1.7 bbs. Eu aumento para 6,5 bbs e decido pagar caso ele vá all-in. Mas ele folda”.

Em outra mão inesquecível – essa contra o brasileiro Pedro Garagnani -, Eduardo poderia ter ficado com stack acima da média do field. Mas o desfecho não foi o que esperava e o torneio ficou a um passo do final.

“Estava com US$1.4 milhão, meu maior stack, quando, perdi um coin-flip – de AK X 99 – que ia me deixar acima da média, com 70 big blinds, contra o pvigar. Ele já trinca no flop”, lembra Eduardo, eliminado pouco tempo depois, pelo sueco Niklas Astedt .

A dor da derrota: frustração e solidariedade

“Na mão final, estou no big blind, com A2o e lena900, no small. Já tinha botado na cabeça que, se ele shovasse, eu pagaria, por estar muito à frente do range de shove dele”, conta Eduardo. “Pro meu azar achei ele com AK. Fim de sonho. Cai em 75º e a zona de premiação começava na 24ª posição. A primeira faixa era de 12,5k dólares. Seria surreal pra mim. Já que meu big hit online são 2,5k”.

O craque Pedro Garagnani foi o algoz de Eduardo na mão mais importante do torneio

Derrotas no poker são mais frequentes que vitórias, mas a eliminação em um torneio muito grande pode causar frustração profunda.

Com Eduardo não foi diferente, mas ele reagiu bem e conseguiu – em grande parte devido ao apoio de amigos – se recuperar emocionalmente da queda no WPT Big Game.

“Não tem como não sentir, por tudo que passei até chegar aquele momento, você fica uns 5 minutos lamentando por ter caído do torneio”, afirma o jogador.  “Vários amigos me mandaram mensagem. E isso me acalmou um pouco. Diziam que havia feito história; que vários profissionais que vivem do jogo nunca jogam esse torneio. Isso já me ‘desqueimou’”.

Esperança no futuro: “quem sabe, daqui a cinco anos”

Apesar de operar ainda no poker micro stakes, Eduardo tem momentos expressivos na carreira. No online, seu melhor resultado foi o oitavo lugar num evento de 22 dólares do Scoop, no final de maio, que lhe rendeu US$ 2.479.

No ao vivo, o pernambucano conseguiu 43 mil reais, no final de 2018, pela vitória em um torneio paralelo do Campeonato Brasileiro de Poker, em São Paulo.

Nesta semana, ao longo de dois torneios – de US# 530 e US$ 5.300 –, Eduardo teve o gostinho de jogar contra os melhores. O desempenho do brasileiro, apesar de ficar fora da zona de premiação, foi muito bom, mas ele quer mais.

Para chegar lá, ele estuda diariamente, por meio de vídeos do Guerreiros Poker Team, da discussão de mãos com os companheiros e instrutores da equipe e da revisão de suas sessões com auxílio de softwares como PT4 (Poker Tracker) e Resources.

Talvez o WPT Big Game de 25 de julho de 2020 ainda vá ficar na cabeça de Eduardo por algumas semanas. Mas, no poker, para todo mal há remédio. Nada melhor para esquecer um evento High Stakes do que outro torneio de 5 mil dólares.

Eduardo pode retornar a esse e outros grandes eventos por meio de dezenas de satélites semanais oferecidos pelo partypoker. Ou pode evoluir a ponto de virar um regular dos torneios mais caros e dividir mesa diariamente com figuras como Jacob Carl Schindler , Kristen Bicknell e Rafael Moraes .

A segunda opção é um sonho ainda, mas Eduardo sabe onde quer estar . “Seria histórico demais, jogar um 5200 por 5,50 e ainda premiar 12,5k. Quem sabe, daqui a cinco anos estou de volta, mas dando buy in direto”.

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