Em 2018, o brasileiro Roberly Felício conseguiu uma das maiores façanhas da história recente do poker: um título no World Series of Poker, em evento com mais de 13.000 participantes. No tradicional Colossus, o goiano embolsou US$ 1 milhão, em uma conquista que para sempre ficará marcada nas páginas de recordes do poker nacional.

O que mais chama atenção nisso tudo é o fato de que Roberly não é um jogador profissional. Empresário, ele pratica o poker nas horas vagas e se enquadra na definição de “recreativo”.

É verdade que não é todo dia que um jogador recreativo desbanca milhares de profissionais para vencer um título na “Copa do Mundo do poker”, mas o feito do brasileiro no dia 2 de junho de 2018 mostra que o poker também é uma modalidade viável para os competidores amadores.

A possibilidade de um sortudo ir contra as projeções e desbancar os favoritos é um dos motivos que tornam o poker tão apaixonante e cativante. Portanto, tendo isso em mente, separamos algumas dicas para o jogador recreativo se dar bem contra profissionais.

Ser um pouco mais agressivo do que a média

Na visão macro, a cada mil mãos de poker, o jogador profissional tende a derrotar o recreativo pelo menos acima da metade das vezes. No entanto, no cenário micro tendo como amostra um torneio apenas, o amador pode se dar bem em cima dos jogadores mais graúdos.

Essa realidade segue a mesma lógica de outros esportes, como no futebol, basquete e vários outros: o time mais fraco pode vencer uma ou duas partidas, mas no campeonato de pontos corridos as suas fraquezas são expostas perante os oponentes mais fortes.

Dessa maneira, o jogador recreativo que entra para um torneio lotado de “sharks” precisa levar em consideração que ele já começa em desvantagem natural por não ter o nível estratégico de outros competidores. Como superar isso? Agressividade é um bom caminho.

É claro que não é para o recreativo simplesmente dar all-in em todas as mãos possíveis. Nesse caso, uma estratégia um pouco mais agressiva do que a média pode render bons frutos — assim como Roberly fez no World Series of Poker de 2018.

Ao pegar a variância para cima em altas apostas, o jogador recreativo pode sair na frente em número de fichas e conseguir vantagem em relação a outros competidores. É evidente que agressividade acima da média resulta em maiores riscos, mas geralmente essa é a melhor estratégia em uma mesa cheia de profissionais.

Não se tornar um alvo fácil

A última coisa que um jogador recreativo precisa em um torneio lotado de profissionais é ter um anúncio escrito “amador” na testa. Há várias maneiras de evitar com que isso aconteça.

A primeira dica é não se vestir de maneira muito extravagante. Sim, jogadores recreativos tendem a se exaltar nos acessórios. Óculos vibrantes, chapéus coloridos e coisas do tipo combinam perfeitamente com a descrição de um competidor que não encara o poker como profissão diária — olhe para o extravagante britânico John Hesp, por exemplo, recreativo que se destacou no World Series of Poker de 2017.

Outra maneira de evitar o reconhecimento rápido de outros profissionais sobre o seu nível de jogo é não blefar demais ou entrar em muitas mãos. Geralmente um competidor elite joga entre 30% a 35% de suas mãos, enquanto o blefe é apenas um recurso — e não uma técnica utilizada a cada mão.

Ao se camuflar em meio a outros competidores profissionais, o recreativo não se torna um alvo na mesa e, consequentemente, tem mais chances de não ser atacado constantemente por outros rivais de nível maior. Isso tudo aumenta as chances de se manter vivo no torneio.

Fazer o dever de casa

Ser recreativo não significa ser desleixado. Um competidor amador também precisa fazer o dever de casa, e isso quer dizer estudar todos os outros adversários que estão na mesa e potenciais candidatos ao título.

Além disso, fazer o dever de casa também é calcular as probabilidades constantemente em cada rodada para tomar as melhores decisões com o auxílio da matemática.

Jogar de maneira totalmente desleixada contra competidores de alto nível tem prazo de validade e geralmente não é uma boa tática.

Focar na especialidade

Sabe a expressão “fazer o feijão com arroz?” Então, no caso do jogador recreativo de poker o mesmo se aplica.

Se você é bom no Omaha, foque apenas nessa modalidade durante uma semana de torneios. É preciso partir do princípio que o nível de habilidade na sua especialidade favorita já é abaixo da maioria dos outros competidores no field — portanto, por que tornar a vida ainda mais difícil se aventurando em variantes que você não domina?

Ao se concentrar em apenas uma modalidade, o recreativo aumenta as suas chances de sucesso durante uma competição e isso vale para o ao vivo e online.

Tudo é questão de trabalho e dedicação

Não há varinha mágica para vencer no poker. Através de muita dedicação e trabalho, o competidor consegue chegar ao nível elite e contabilizar resultados consistentes ao longo do tempo. Enquanto você não chega ao profissional, utilizar essas dicas e técnicas expostas acima são bons atalhos para aumentar as chances de sucesso contra os tubarões na mesa.

Compartilhe.

Comentários estão fechados.